Apesar do cenário global mais cauteloso, os CEOs do setor financeiro brasileiro estão otimistas com 2026. Segundo a 29ª edição do Global CEO Survey, da PwC, 68% dos executivos do setor esperam que a economia brasileira acelere ainda neste ano, número acima da média de todos os setores no país, de 60%, e bem superior à expectativa global para o crescimento mundial, de apenas 55%. O levantamento ouviu mais de 4,4 mil líderes empresariais em 95 países.
O otimismo, porém, vem com ressalva. A projeção de crescimento da própria receita para os próximos 12 meses caiu de 62% para 48% entre os executivos brasileiros do setor, um recuo que mostra cautela mesmo em meio à confiança na economia como um todo.
O maior medo do setor não é mais a macroeconomia
Pela primeira vez, o risco que mais preocupa os CEOs financeiros brasileiros não vem do câmbio ou dos juros. Segundo a pesquisa, 45% dos executivos dizem estar altamente expostos a riscos cibernéticos, índice bem acima da média global do setor, de 31%, e da média de todas as empresas no país, de 25%.
Willer Marcondes, sócio para Serviços Financeiros da Strategy&, consultoria estratégica da PwC Brasil, afirma que o tema hoje “está na agenda dos conselhos de administração de praticamente todas as instituições financeiras”, tanto do ponto de vista de análise de risco quanto de volume de investimento em prevenção e resposta a incidentes.
A aposta segue firme em inovação e IA
Ao mesmo tempo que o risco cresce, o apetite por inovação também. A pesquisa mostra que 58% dos CEOs do setor financeiro já tratam a inovação como parte da estratégia de negócios, percentual acima da média global do setor, de 47%, e da média brasileira geral, de 56%.
A inteligência artificial aparece como parte central desse movimento. Segundo a PwC, 34% dos CEOs do setor já associam o uso da tecnologia a algum aumento de receita, sem nenhum registro de queda relacionado à IA.
No recorte global, apenas 12% das empresas conseguiram combinar economia de custos e aumento de receita com IA no último ano, o que coloca o setor financeiro brasileiro à frente da curva internacional.
Crescer rápido, sem abrir mão da governança
O levantamento também mostra que 42% dos CEOs do setor passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos, e 34% já demonstram intenção de investir nos Estados Unidos em 2026. É um cenário de expansão simultânea em geografia, tecnologia e risco, justamente a combinação que mais exige preparo técnico de quem senta no conselho.
O desafio deixado pela pesquisa é claro: crescer com IA e abrir novas frentes de negócio sem que a cibersegurança e a governança fiquem para trás.
Fonte: Exame com adaptações da MundoCoop

