O cooperativismo gaúcho tem se destacado e ocupado diferentes espaços da 49ª Expointer. A feira, iniciada no último dia 29 e realizada até 6 de setembro, transforma a dimensão econômica de um setor que faturou R$ 103 bilhões em 2025 em oportunidades para ampliar negócios, discutir novos mercados e aproximar as cooperativas de produtores, lideranças e da sociedade.
De acordo com o Anuário do Cooperativismo, o Rio Grande do Sul reúne 375 cooperativas e 4,4 milhões de cooperados, o equivalente a mais de um terço da população do estado. Essas organizações mantêm mais de 80,5 mil empregos diretos, estão presentes em 490 dos 497 municípios gaúchos e alcançaram R$ 6,26 bilhões em sobras no último ano. O faturamento avançou 10% em relação a 2024.
A programação do Sistema Ocergs durante a Expointer traduz parte dessa presença em uma agenda dedicada a negócios, representação e liderança. Darci Hartmann, presidente do Sistema Ocergs, relaciona a participação no evento à oportunidade de aproximar essa dimensão econômica da sociedade. “Queremos mostrar para a sociedade da Grande Porto Alegre, mas também de todo o Estado, o quanto somos importantes, o quanto crescemos e o quanto fazemos bem para as comunidades onde estamos atuando”, destaca.
Competitividade
A abertura de novos mercados está entre os temas que colocam a competitividade das cooperativas em discussão nesta edição da Expointer. Um dos debates promovidos pelo Sistema Ocergs abordou os efeitos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia sobre segmentos como vinhos, carnes, arroz, queijos, leite e embutidos, que poderão enfrentar maior concorrência no mercado brasileiro e, ao mesmo tempo, encontrar novas possibilidades de inserção internacional.
A professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Kelly Bruch avalia que esse novo ambiente exigirá preparação para atender requisitos técnicos, sanitários, de certificação e posicionamento. A diferenciação dos produtos e a capacidade de agregar valor à origem aparecem, nesse cenário, como caminhos para aproveitar a abertura comercial. “Produtos de nicho e de maior valor agregado podem se destacar, uma vez que o consumidor europeu valoriza produtos que carregam história, origem e coletividade, e esse é um diferencial que o cooperativismo gaúcho pode explorar”, explica Kelly.
A identidade do modelo também entra nessa estratégia. Cerca de 150 cooperativas gaúchas já utilizam o carimbo SomosCoop, que identifica a origem cooperativista de produtos e serviços. A discussão realizada na feira reforçou a possibilidade de utilizar essa identificação para comunicar ao consumidor a relação entre produto, território e produtores e ampliar a diferenciação diante de mercados mais competitivos.
O acesso a crédito e a instrumentos de planejamento também integra a presença do cooperativismo financeiro na Expointer. O Sicredi iniciou o Plano Safra 2026/27 com R$ 5,6 bilhões liberados em todo o país apenas no primeiro mês do ciclo, crescimento de 6% sobre o mesmo período anterior. A instituição realizou 27,2 mil operações em julho, destinou R$ 2,6 bilhões ao custeio e R$ 1,1 bilhão à agricultura familiar por meio do Pronaf.
A atuação ganha um recorte específico no Rio Grande do Sul com o Programa Bônus Mais Leite. Na safra 2025/26, o Sicredi respondeu por quase 65% das operações realizadas no programa, com 1.985 contratos e mais de R$ 122 milhões em crédito concedido. A iniciativa atende agricultores familiares da cadeia leiteira e combina recursos de custeio e investimento voltados à continuidade e à qualificação da atividade.
Liderança e participação
A dimensão econômica divide espaço na Expointer com discussões sobre quem participa das decisões e conduz o futuro das cooperativas. O encontro do Elas pelo Coop RS colocou governança, negócios e liderança feminina no centro da agenda e marcou a posse de uma nova coordenação para o comitê estadual. Os indicadores mostram avanços recentes, embora a presença feminina nas principais posições de liderança ainda seja minoritária.
O número de mulheres na presidência das cooperativas registradas no estado passou de 34 em 2025 para 43 em 2026. Elas representam atualmente 12% das presidências, enquanto os homens ocupam 88% dos postos.
Luana Elicker, gerente de Marketing da Sicredi Região da Produção e coordenadora do Elas pelo Coop RS, avalia que a diversidade começa a ocupar um espaço mais estruturado dentro das organizações. “A inclusão de mulheres e jovens e a diversidade dentro das cooperativas já se transformaram em uma pauta estratégica. Cada cooperativa avança no seu ritmo, respeitando seu processo de maturidade. O desafio agora é fortalecer esse trabalho para que mais cooperativas incorporem essas temáticas ao planejamento estratégico”, afirma.
A aproximação com a sociedade completa essa presença. O Dia de Cooperar reuniu atividades de educação financeira, bem-estar, sustentabilidade, cidadania e integração social durante a Expointer, enquanto cooperativas de diferentes ramos desenvolveram ações em outras regiões gaúchas. Um levantamento parcial do Sistema Ocergs aponta que mais de seis mil pessoas foram impactadas pela mobilização no estado.
Fonte: Redação MundoCoop com informações do Sicredi e do Sistema Ocergs

