Mudanças tecnológicas, novos comportamentos de consumo e transformações nas relações de trabalho têm exigido das organizações maior capacidade de adaptação. Para as cooperativas, responder a esse ambiente passa não apenas pela adoção de novas ferramentas, mas pela incorporação da estratégia e da inovação à cultura organizacional, sem abandonar os princípios que sustentam o modelo.
Esse foi o tema do mais recente episódio do Papo Coop, apresentado por Douglas Ferreira, diretor da MundoCoop. O programa recebeu Afonso Rocha, diretor-superintendente do Sebrae Minas, para uma conversa sobre estratégia, inovação e preparação de novas lideranças. Com 33 anos de trajetória na instituição, o executivo passou por diferentes funções antes de chegar à superintendência.
Para Afonso, planejamento e estratégia cumprem funções diferentes dentro das organizações. Enquanto o primeiro organiza ações, a estratégia estabelece escolhas e direciona o negócio para o futuro. Sua construção também precisa envolver as equipes, criando condições para que os colaboradores compreendam os objetivos definidos e participem de sua execução.
Estratégia e cultura
A participação das equipes se torna ainda mais importante quando as organizações precisam transformar planos em ações concretas. Na avaliação de Afonso, uma estratégia consistente pode enfrentar resistência quando não encontra respaldo na cultura organizacional. Por isso, além de definir objetivos, a gestão precisa formar equipes capazes de compreender seu papel no desenvolvimento do negócio.
A mesma lógica se aplica à inovação. Embora o tema tenha ganhado espaço nas organizações, o executivo considera um equívoco concentrá-lo em áreas específicas. Experimentação, trabalho coletivo e abertura ao aprendizado precisam fazer parte do cotidiano para que novas soluções deixem de ser iniciativas isoladas e sejam incorporadas à gestão. “Inovação não é um setor. Ainda tem muitas empresas que têm no organograma um departamento de inovação. Aí você gera na empresa um sentimento de que ‘eu faço o meu trabalho aqui, agora essa história de inovação é com aquele povo lá’. Não. Inovação é cultura”, destaca.
No cooperativismo, essa transformação pode ocorrer sem representar um afastamento dos fundamentos do modelo. Para Afonso, características como cooperação, compartilhamento e esforço coletivo podem, inclusive, favorecer a construção de ambientes mais abertos à inovação. “O cooperativismo pode inovar sem perder a essência. A própria essência do cooperativismo, de compartilhamento, de cooperação, de associação e de esforço coletivo, é um combustível. São elementos muito importantes que podem colaborar e ser até um diferencial das cooperativas em relação às empresas quando se fala em inovação”, afirma.
Novas lideranças
As transformações na gestão também alcançam quem estará à frente das organizações nos próximos anos. Afonso observa que novas gerações chegam ao mercado com expectativas diferentes em relação à autonomia, participação e liderança, enquanto gestores formados em modelos mais hierarquizados precisam se adaptar a essas mudanças.
Nesse cenário, a formação não deve ficar restrita ao conhecimento acadêmico. O executivo defende a combinação entre educação formal, experiências práticas e convivência com profissionais mais experientes. Para as cooperativas, esse processo também está relacionado à preparação da sucessão e ao desenvolvimento de pessoas capazes de assumir responsabilidades de gestão. “A gente tem espaço para trabalhar, quem sabe criando programas de formação de jovens cooperativistas para formar novas gerações que possam ir assumindo seus papéis. As gerações vão se sucedendo e é importante que a gente forme jovens preparados, qualificados para assumir o papel de líderes nessas organizações”, afirma.
Por fim, Afonso reforça que a construção de uma estratégia também depende de ouvir os diferentes públicos relacionados à organização e utilizar dados para acompanhar os resultados. Mais do que elaborar um plano, o desafio está em implementar, monitorar e revisar continuamente as decisões diante da velocidade das transformações do mercado.
Assista ao episódio completo do Papo Coop e confira a análise de Afonso Rocha sobre estratégia, inovação e os desafios para preparar as cooperativas para o futuro.
Por Redação MundoCoop

