Dia C amplia rede de cooperação nas comunidades com ações de saúde, educação e sustentabilidade 

Escrito em 29/08/2026
MundoCoop

O que começou em Minas Gerais, em 2009, como uma mobilização de aproximadamente mil pessoas, ganhou escala nacional e passou a reunir diferentes formas de atuação comunitária. Em 2025, o Dia de Cooperar, conhecido como Dia C, contabilizou 8,2 mil ações em 2,2 mil municípios brasileiros, dentro de uma rede que reúne mais de 174 mil pessoas engajadas em iniciativas de voluntariado.

Neste sábado (29), cooperativas de diferentes regiões do país voltam a concentrar parte dessas atividades em uma mobilização nacional. Saúde, educação, cidadania, cultura, sustentabilidade, esporte e solidariedade aparecem entre as frentes previstas para a edição de 2026, mas a diversidade das ações também revela uma transformação mais ampla: em muitos territórios, o Dia C deixou de representar apenas uma data no calendário para se tornar referência de projetos desenvolvidos ao longo de todo o ano.

Tania Zanella, presidente executiva do Sistema OCB, relaciona esse alcance à proximidade das cooperativas com as regiões onde atuam. Para ela, a mobilização traduz a capacidade das organizações de identificar demandas locais e reunir diferentes pessoas em torno de respostas coletivas. “São cooperativas de diferentes ramos e regiões que conhecem de perto suas comunidades e transformam esse vínculo em cuidado, solidariedade e oportunidades”, afirma.

A trajetória do movimento ajuda a explicar essa mudança de escala. Criado pelo Sistema Ocemg, o Dia C ganhou dimensão nacional quatro anos depois de sua primeira edição e passou a integrar projetos ligados também aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Somente em Minas Gerais, 330 cooperativas desenvolveram 634 ações em 2025, mobilizando 20.091 voluntários e alcançando 1,4 milhão de pessoas em 503 municípios.

Ações locais

A expansão do Dia C não produziu uma programação padronizada pelo país. Ao contrário, as iniciativas assumem formatos distintos conforme as características das comunidades, alternando grandes eventos de atendimento ao público com projetos de menor escala, campanhas permanentes e atividades voltadas a problemas específicos de cada região. A própria organização nacional destaca que essa adaptação territorial está entre as características do movimento.

Na Unicred, por exemplo, a mobilização ganhou uma frente ambiental. O Instituto Unicred propôs a realização de mutirões de limpeza em rios, praias, praças e parques de diferentes regiões do país, para aproximar voluntários, preservação dos espaços públicos e participação comunitária. Além do resultado direto das atividades, a proposta busca envolver colaboradores, cooperados e moradores no cuidado com áreas utilizadas coletivamente.

A educação financeira também aparece ao longo de outros cronogramas de atividades. Em Belo Horizonte, o Sicoob Central Crediminas e o Sicoob Central Cecremge apoiam a primeira apresentação do espetáculo “O Que a Gente Guarda: Uma história Financinhas”, sobre dinheiro, tempo e afeto. A peça combina humor e música para abordar com crianças e adultos temas relacionados a dinheiro, cuidado, compartilhamento e diferentes formas de riqueza. 

No Rio Grande do Sul, a Cotrijal distribuiu 34 ações por diferentes municípios de sua área de atuação. As iniciativas incluem revitalização de espaços de convivência para idosos, criação e recuperação de hortas, doação de mudas, campanhas de saúde, arrecadação de alimentos e atividades educativas. Em Não-Me-Toque, uma das mobilizações recuperou a área externa de um lar de idosos.

A amplitude desses formatos também aparece nas grandes mobilizações programadas para o fim de semana. O Dia C em Alagoas reunirá 15 cooperativas em Maceió, com atividades nas áreas de saúde, educação financeira, empreendedorismo, cultura, sustentabilidade e cidadania. A programação será gratuita e aberta à população, reunindo ainda instituições parceiras de diferentes áreas.

Em Mato Grosso do Sul, o Dia C em Campo Grande reunirá 17 cooperativas e parceiros no Cotolengo Sul-Mato-Grossense. A mobilização estadual parte de uma base já expressiva: em 2025, foram mapeadas 504 ações em 56 municípios, com investimento de R$ 1,58 milhão, participação de 9.038 voluntários e 113.435 pessoas beneficiadas.

Voluntariado contínuo

A concentração das atividades em torno do dia 29 tem funcinoado, em muitos casos, como ponto de visibilidade para projetos que já vêm sendo executados durante o ano. Na Cresol, as iniciativas de voluntariado realizadas em 2026 já alcançaram mais de 16 mil pessoas em diferentes regiões do país. No ano anterior, mais de 77 mil pessoas foram beneficiadas por ações que incluíram doação de sangue, educação financeira, plantio de árvores, arrecadação de alimentos e apoio a instituições sociais.

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Iniciativas da Cresol realizadas ao longo de 2026 já beneficiaram mais de 16 mil pessoas em diferentes regiões do país

Uma dessas experiências ocorre em Veranópolis, no Rio Grande do Sul. A campanha Alimente o Bem reúne cooperativas da cidade em torno da arrecadação de alimentos e itens de primeira necessidade destinados a famílias em situação de vulnerabilidade e já alcançou cerca de mil pessoas. Em outras regiões, a Cresol promoveu atividades recreativas com crianças, demonstrando como a mesma agenda de voluntariado pode assumir características diferentes de acordo com o território.

Para Alzimiro Thomé, presidente do Cresol Instituto, a continuidade dessas iniciativas decorre da própria relação entre cooperativas e comunidades. Segundo ele, o desenvolvimento sustentável de uma instituição também depende do fortalecimento dos lugares onde ela está presente, e as ações voluntárias permitem transformar proximidade e cooperação em respostas às necessidades locais.

Em Minas Gerais, Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Ocemg, também chama atenção para essa dimensão permanente. Ao recordar que as ações são realizadas pelas cooperativas ao longo de todo o ano, ele define a celebração nacional como um momento de visibilidade para um trabalho que não começa nem termina no Dia C. “O evento de celebração é apenas um lembrete da importância desses projetos e de seus voluntários”, explica.

O Paraná oferece outro exemplo dessa continuidade. Uma campanha estadual de doação de sangue será lançada no período do Dia C e seguirá até dezembro, em parceria com o Hemepar e a Secretaria de Estado da Saúde. A iniciativa busca envolver cooperativas, cooperados, colaboradores, familiares e integrantes de comitês ligados ao movimento cooperativista, além de estimular a participação espontânea da comunidade.

Intercooperação

A atuação conjunta entre diferentes organizações também aparece como um dos elementos capazes de ampliar o alcance das iniciativas. Na Cooperativa Cotrijal, unidades são incentivadas a construir parcerias com outras cooperativas, prefeituras, escolas, entidades assistenciais e empresas locais.

Maria Letícia Bonzanini, coordenadora de Desenvolvimento Cooperativista e Marketing da Cotrijal, relaciona essa escolha diretamente à intercooperação. “Nós buscamos incentivar as unidades para que façam parcerias com outras cooperativas na realização dessas ações, levando mais força, cooperação e solidariedade para as comunidades”, afirma.

No Rio Grande do Sul, essa articulação também chegará à Expointer. O evento terá uma programação voltada a bem-estar, educação financeira, sustentabilidade e cidadania, enquanto uma edição especial do Fala, Coop! pretende conectar, durante uma transmissão ao vivo, ações desenvolvidas dentro da feira a iniciativas promovidas em diferentes regiões do estado.

Em Goiânia, a escala da articulação aparece na mobilização prevista para o Jardim Botânico. A expectativa é reunir cerca de 5 mil pessoas em uma programação construída pelo Sistema OCB/GO junto a 21 cooperativas e instituições parceiras. Saúde, assistência social, educação financeira, qualificação, sustentabilidade e lazer estarão concentrados em um mesmo espaço.


Por Redação MundoCoop

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