Dados reunidos pelo AnuárioCoop 2026 mostram que o cooperativismo está presente em diferentes setores e regiões do mundo. O movimento reúne cerca de 3 milhões de cooperativas, 1 bilhão de cooperados e gera 280 milhões de empregos. As 300 maiores organizações do setor, caso fossem consideradas um país, formariam a nona maior economia mundial.
O Brasil se destaca nesse cenário pela dimensão alcançada pelo setor. Segundo o AnuárioCoop 2026, o país reúne 4.400 cooperativas, mais de 29 milhões de cooperados e 613,4 mil empregos. Em 2025, essas organizações somaram R$ 848,4 bilhões em ingressos e R$ 61,3 bilhões em sobras.
A projeção brasileira também aparece no World Cooperative Monitor 2025, levantamento produzido pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI) em parceria com o Instituto Europeu de Pesquisa sobre Empresas Cooperativas e Sociais (Euricse). O Brasil possui 13 organizações entre as 300 maiores por faturamento absoluto e 21 no ranking que relaciona o faturamento ao PIB per capita, indicador que mede a relevância das cooperativas dentro da economia de seus países.
Destaque em diferentes ramos
A presença brasileira no World Cooperative Monitor 2025 se distribui entre Saúde, Crédito, Agropecuário e Consumo. O maior destaque está no Ramo Agropecuário, que concentra a maior representação nacional no levantamento. Copersucar, Coamo e C.Vale estão, respectivamente, na quarta, sétima e décima posições entre as cooperativas agropecuárias no ranking que relaciona faturamento ao PIB per capita. Outras 14 organizações brasileiras do ramo também integram a classificação geral.
Outros setores também aparecem nas primeiras posições. O Sistema Unimed ocupa o primeiro lugar mundial na categoria Educação, Saúde e Trabalho Social e a quarta posição entre as 300 maiores no indicador de faturamento sobre o PIB per capita. No Crédito, Sicredi e Sicoob aparecem na quarta e sexta posições de seu segmento, respectivamente.
- 4ª — Sistema Unimed
- 13ª — Copersucar
- 15ª — Sicredi
- 25ª — Coamo
- 34ª — C.Vale
- 35ª — Sicoob
- 38ª — Lar
- 39ª — Aurora Alimentos
- 62ª — Comigo
- 64ª — Cocamar
- 80ª — Copacol
- 89ª — Cooperalfa
- 91ª — Integrada
- 103ª — Agrária Agroindustrial
- 109ª — Coopercitrus
- 115ª — Castrolanda
- 122ª — Frísia
- 123ª — Frimesa
- 139ª — Coopavel
- 140ª — Cooxupé
- 223ª — Coop – Cooperativa de Consumo
Escala diversificada
Apesar da expressão numérica, a presença das cooperativas brasileira no cenário internacional não se limita apenas ao número de organizações. O país desenvolveu sistemas cooperativos de grande alcance na agropecuária, crédito, saúde e infraestrutura. No agronegócio, por exemplo, as cooperativas respondem por 53% da produção nacional de grãos, possuem 25% da capacidade de armazenamento e mantêm 10,7 mil profissionais de assistência técnica e extensão rural.
Já no sistema financeiro, as cooperativas representam 22% da carteira de crédito rural. Também são a única instituição financeira presente em 1.072 municípios brasileiros, o que reforça sua participação na inclusão financeira e no atendimento a localidades com menor presença bancária.
Na saúde, o panorama internacional apresentado pelo AnuárioCoop 2026 posiciona o Sistema Unimed como a maior cooperativa do mundo na categoria de educação, saúde e trabalho social.
Presença no mercado internacional
O comércio exterior é outra frente dessa projeção de destaque. O AnuárioCoop 2026 aponta que 140 cooperativas brasileiras registraram US$ 17,4 bilhões em receitas com exportações, valor equivalente a 10,3% das vendas externas do agronegócio nacional.
A inserção internacional, entretanto, permanece concentrada. Dez cooperativas respondem por 67% das exportações do setor. O cenário indica que o país já possui organizações competitivas no mercado externo, mas ainda possui potencial para ampliar o acesso de cooperativas de menor porte a certificações e canais de comercialização.
Reconhecimento institucional
A publicação da Lei 15.433/2026 acrescentou uma nova dimensão a essa presença ao reconhecer o cooperativismo como manifestação da cultura nacional. A norma destaca valores como ajuda mútua, participação democrática, responsabilidade compartilhada e desenvolvimento coletivo, além de reforçar o papel do Estado no apoio à atividade.
A decisão aproxima o Brasil da agenda internacional de preservação do patrimônio cooperativo. Lançado pela Aliança Cooperativa Internacional em 2025, o projeto Cooperative Cultural Heritage começou com uma lista de 32 patrimônios localizados em 25 países. Em 2026, a iniciativa deve avançar na identificação de práticas, tradições e sistemas de governança relacionados à cultura da cooperação.
O movimento também se relaciona ao reconhecimento concedido pela Unesco, em 2016, à ideia e à prática de organização de interesses comuns por meio de cooperativas. Ao incorporar o cooperativismo à legislação cultural, o Brasil cria uma referência que pode apoiar iniciativas semelhantes em outros países.
A escala econômica, a presença em setores estratégicos e o avanço institucional ampliam a participação brasileira nas agendas internacionais do movimento. O desafio está em transformar essas experiências em maior acesso a mercados, cooperação técnica e presença das cooperativas nacionais nos espaços globais de decisão.
Por Redação MundoCoop com informações da Aliança Cooperativa Internacional e do AnuárioCoop 2026

