O cooperativismo brasileiro alcançou 29 milhões de cooperados em 2025, volume equivalente a quase um em cada sete habitantes do país. O resultado, apresentado nesta sexta-feira (31) pelo Sistema OCB no AnuárioCoop 2026, representa crescimento de 12,5% em um ano e contrasta com o avanço de 0,4% no número de cooperativas, que chegou a 4.400 organizações.
O desempenho também se refletiu na geração de empregos e nos resultados econômicos. As cooperativas somaram 613,4 mil postos de trabalho, alta de 6,1%, e registraram R$ 848,4 bilhões em ingressos, aumento de 11,9%. As sobras cresceram 14,2% e alcançaram R$ 61,3 bilhões.
Tania Zanella, presidente executiva do Sistema OCB, afirma que os resultados do Anuário refletem a capacidade do cooperativismo de ampliar sua presença econômica sem perder o foco nas pessoas e nas comunidades. Para a dirigente, o crescimento da base de cooperados e dos indicadores do setor reforça a competitividade do modelo e sua contribuição para a geração compartilhada de riqueza.
“Os números do Anuário mostram que o cooperativismo continua crescendo de forma consistente porque entrega resultados concretos para as pessoas. Cada novo cooperado representa alguém que escolheu participar de um modelo baseado na cooperação, na geração compartilhada de riqueza e no desenvolvimento das comunidades. O crescimento econômico das cooperativas demonstra que é possível conciliar competitividade, inclusão e prosperidade” – TANIA ZANELLA, PRESIDENTE EXECUTIVA DO SISTEMA OCB
Crescimento interno das cooperativas
A ampliação da base social não ficou restrita ao último ano. Em seis anos, o número de cooperados passou de 15,5 milhões para 29 milhões, avanço de 87%. As 4.400 cooperativas brasileiras estão distribuídas por 3.425 municípios e atuam nos sete ramos do cooperativismo.
O crescimento também alcançou o mercado de trabalho. A alta de 6,1% no número de empregados foi mais de duas vezes superior à expansão do emprego formal brasileiro no mesmo período. As mulheres permanecem como maioria entre os profissionais das cooperativas e representam 53% da força de trabalho do setor.
A estrutura patrimonial acompanhou esse avanço. Os ativos cresceram 14,9% e chegaram a R$ 1,6 trilhão, enquanto o capital social integralizado somou R$ 122,7 bilhões. As cooperativas também responderam por R$ 20,4 bilhões em tributos ao longo de 2025.
Apesar da atuação em diferentes setores, grande parte dos resultados está concentrada nos ramos Crédito, Agropecuário e Saúde. Juntos, eles respondem por mais de 96% dos ingressos e cerca de 94% dos empregos gerados pelas cooperativas.
Os grandes motores do sistema
O ramo Crédito reúne quase 23 milhões de cooperados, o equivalente a cerca de oito em cada dez associados ao cooperativismo brasileiro. O segmento concentra R$ 1,1 trilhão em ativos e responde por mais de 72% do patrimônio total do setor.
A escala financeira também se traduz em presença territorial. Em 1.072 municípios brasileiros, as cooperativas são a única instituição financeira presente, ampliando o acesso ao crédito e a outros serviços em localidades com menor oferta de atendimento.
Se o Crédito concentra a maior base social e patrimonial, o Agropecuário lidera a geração de ingressos e empregos. As 1.254 cooperativas do ramo movimentaram R$ 487,3 bilhões e mantiveram 277,2 mil postos de trabalho em 2025. A participação do setor também alcança uma parcela relevante da produção nacional. As cooperativas respondem por 53% dos grãos produzidos no país, além de participarem da armazenagem, da assistência técnica e da organização das cadeias produtivas.
Essa presença chega ao comércio exterior. As cooperativas registraram US$ 17,4 bilhões em receitas com exportações, valor equivalente a 10,3% de todas as vendas externas do agronegócio brasileiro. A Saúde aparece como o segundo maior empregador do cooperativismo, com 162,3 mil postos de trabalho. O ramo registrou R$ 130,6 bilhões em ingressos e representa 37,2% dos beneficiários de planos médicos do país.
A atuação em serviços essenciais também se destaca na Infraestrutura. As cooperativas atendem 3,5 milhões de brasileiros por meio do fornecimento de energia elétrica e estão presentes em 800 municípios.
“O Anuário confirma uma tendência que observamos há alguns anos: o cooperativismo cresce em escala, amplia sua participação na economia e fortalece seu impacto nas comunidades. São resultados que demonstram a capacidade das cooperativas de gerar renda, emprego, crédito, produção e desenvolvimento em todas as regiões do Brasil”, acrescenta Tania.
Participação social
A presença das cooperativas nas comunidades também aparece nas ações realizadas fora de suas atividades econômicas. Em 2025, 1.091 organizações promoveram iniciativas sociais nos 27 estados, com R$ 26,6 milhões investidos e a mobilização de 174 mil voluntários.
Os estudos reunidos no AnuárioCoop 2026 apontam ainda diferenças nos indicadores dos municípios com presença cooperativista. Entre os resultados apresentados estão R$ 5,1 mil a mais no PIB por habitante, 28,4 novos empregos formais por 10 mil moradores e 14,8 novos estabelecimentos por mil habitantes.
Ao todo, as cooperativas realizaram 8.214 ações relacionadas aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que beneficiaram 4 milhões de pessoas e alcançaram 2.211 municípios brasileiros ao longo de 2025.
Por Redação MundoCoop

