O Dia Internacional do Cooperativismo, celebrado no último sábado (4), mobilizou cooperativas brasileiras em torno de uma agenda marcada por solidariedade, inclusão produtiva, educação e presença comunitária. Com o tema “Cooperativas por um mundo pacífico”, o CoopsDay 2026 reforçou a atuação do setor cooperativo em diferentes territórios do país.
Reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data chegou à sua 104ª edição internacional e à 32ª celebração oficial no calendário da entidade. Neste ano, a Aliança Cooperativa Internacional (ACI) associou o tema da paz à inclusão econômica, à justiça social e ao fortalecimento das instituições, ampliando o debate para além da ausência de conflitos. Na prática, as ações realizadas no período mostraram como as cooperativas podem atuar como pontos de conexão entre pessoas, comunidades e oportunidades.
Ao longo do país, cooperativas de diferentes ramos promoveram ações que evidenciam o impacto do modelo na vida das comunidades. Iniciativas voltadas à solidariedade, à inclusão produtiva e ao desenvolvimento local marcaram a data, reforçando o papel das cooperativas como agentes de transformação social e econômica em seus territórios.
Acolhimento e reconstrução
Na mesma linha de atuação solidária, o cooperativismo também se destaca em iniciativas voltadas à integração de migrantes. Em Boa Vista, a Cooperativa de Empreendimentos Solidários do Município de Boa Vista (Coofecs) desenvolve ações com mulheres venezuelanas que chegaram ao Brasil em busca de novas oportunidades. Em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU para o tema, a cooperativa oferece cursos de confecção, modelagem e produção têxtil.
O projeto “Costurando Sonhos” já beneficiou mais de 100 mulheres e combina qualificação profissional, empreendedorismo e orientação sobre direitos. A iniciativa amplia as possibilidades de renda, mas também cria redes de apoio, fortalece o sentimento de pertencimento e contribui para reduzir preconceitos e tensões sociais em uma região marcada pelo fluxo migratório. “As iniciativas cooperativistas ajudam refugiados e migrantes a reconstruírem a autonomia, desenvolver redes de apoio e reduzir preconceitos e tensões sociais”, destaca Edna Sousa, presidente da Coofecs.
Em Goiás, as cooperativas de reciclagem reforçaram outro aspecto do tema escolhido para este ano: a inclusão produtiva como caminho para reorganizar trajetórias. Na Cooperativa de Trabalho de Catadores de Materiais Recicláveis Dom Fernando (Cooprec), em Goiânia, o trabalho cooperado se tornou uma oportunidade de recomeço para pessoas que enfrentavam desemprego, ausência de renda e dificuldades de reinserção social.
Esse foi o caso de Isamara Ferreira da Costa. Antes de chegar à Cooprec, ela havia se separado, perdido os documentos pessoais e vivia de favor com o filho de 7 anos. O ingresso na cooperativa permitiu a retomada da autonomia financeira e a reorganização da vida familiar. “Hoje posso pagar meu aluguel e ter uma casa decente para mim e para meu filho. Agora tenho mais oportunidades e já conquistei várias coisas que antes não tinha”, afirma.
A presença feminina é um dos traços mais relevantes da Cooprec. Dos 30 cooperados, 19 são mulheres, sendo três delas em cargos de direção. A presidente da cooperativa, Nair Rodrigues, atua há 28 anos na reciclagem e defende que o trabalho coletivo tem papel decisivo na autonomia de mulheres que sustentam suas famílias. Segundo ela, 80% das cooperadas da Cooprec são responsáveis pelo próprio lar, realidade que reforça o impacto econômico e social da atividade.
Presença nos territórios
A mobilização nacional também levou o cooperativismo para espaços públicos, escolas, eventos culturais e meios de comunicação. Em Alagoas, o Sescoop/AL organizou uma programação com blitz de rádio, atividades esportivas e passeio educativo para crianças. A proposta buscou aproximar a população do setor e ampliar a compreensão sobre o papel das cooperativas na vida das comunidades.
Em Santa Catarina, o CoopsDay teve ações em 12 municípios, com eventos presenciais, apresentações culturais, transmissões de rádio, interação com o público e participação de cooperativas locais. Em Goiás, as atividades se conectaram ao clima da Copa do Mundo, com blitze em Goiânia e Rio Verde. Já em Mato Grosso do Sul, a programação reuniu cooperativistas, autoridades e comunidade em uma celebração marcada por homenagens, arrecadação de alimentos e reconhecimento à contribuição do setor para o desenvolvimento regional.
Desenvolvimento no campo
Outro aspecto importante para o fortalecimento das comunidades está na estabilidade econômica promovida pelas cooperativas em cadeias produtivas estratégicas. No Paraná, a Frimesa Cooperativa Central exemplifica esse papel ao reunir intercooperação, escala produtiva e desenvolvimento regional. A cooperativa encerrou o último ciclo anual com faturamento histórico de R$ 7,04 bilhões, crescimento de 7%, sustentada pela atuação integrada de cinco cooperativas filiadas: Copagril, Lar, Copacol, C.Vale e Primato.
A centralização da industrialização e da comercialização da produção de cerca de 2.500 produtores integrados permite distribuir riscos, ampliar escala e fortalecer a rentabilidade no campo. Ao mesmo tempo, a riqueza gerada pela atividade industrial retorna às regiões produtoras, movimenta o comércio, impulsiona serviços e cria condições para que as famílias cooperadas reinvistam em tecnologia e melhorias nas propriedades.
A Frimesa também encerrou o período com quase 13 mil colaboradores diretos, processou 3,2 milhões de suínos e 258 milhões de litros de leite, além de abastecer quase 49 mil clientes ativos no Brasil. Para Elias José Zydek, presidente executivo da Frimesa, os resultados refletem a força da atuação coletiva na sustentação de toda a cadeia produtiva.
“Agimos coletivamente para que toda a cadeia funcione de forma sustentável, oferecendo segurança e estabilidade às famílias cooperadas para continuar investindo e crescendo em seus negócios” – ELIAS JOSÉ ZYDEK, PRESIDENTE EXECUTIVO DA FRIMESA
Os indicadores também mostram a relevância do cooperativismo para a inserção internacional do agro brasileiro. Com avanço de 19,4% nas exportações, a Frimesa responde por 52% do mercado de carne suína no Paraná e por cerca de 8% das exportações brasileiras do segmento, enviando 33% de sua produção total de carnes ao mercado externo.
Campanhas humanitárias, inclusão produtiva, mobilização comunitária e desenvolvimento econômico marcaram o CoopsDay 2026 e evidenciaram a diversidade de atuação das cooperativas no país. As iniciativas apresentadas indicam um modelo que tem combinado impacto e geração de renda, ampliando sua presença em territórios estratégicos e reforçando seu papel como agente de desenvolvimento local em diferentes regiões.
Por Redação MundoCoop

