CONCRED desenvolve liderança, networking e qualificação no Cooperativismo de Crédito: Você estará lá? – Kedson Macedo é Diretor Executivo na KMac Consultoria

Escrito em 07/08/2026
Redação

Recebo, diariamente, convites para eventos sobre o mercado financeiro e, em especial, sobre o cooperativismo de crédito. Fala-se de negócio, liderança, estrutura institucional, tecnologia, relações com stakeholders e, cada vez mais, do cuidado com as pessoas que sustentam o movimento. A recorrência desses convites, porém, expõe um dilema: muitos eventos repetem formatos e conteúdos, pouco acrescentam ao amadurecimento profissional e, em certos casos, parecem existir apenas para acessar recursos do FATES e do SESCOOP

Recebo, diariamente, convites para eventos sobre o mercado financeiro e, em especial, sobre o cooperativismo de crédito. Fala-se de negócio, liderança, estrutura institucional, tecnologia, relações com stakeholders e, cada vez mais, do cuidado com as pessoas que sustentam o movimento. A recorrência desses convites, porém, expõe um dilema: muitos eventos repetem formatos e conteúdos, pouco acrescentam ao amadurecimento profissional e, em certos casos, parecem existir apenas para acessar recursos do FATES e do SESCOOP no âmbito do SNCC.

A pergunta que se impõe é simples e necessária: para que servem tantos encontros — inclusive promovidos por entidades alheias ao cooperativismo — se não entregam densidade, aplicabilidade e conexões que se traduzam em valor concreto? O momento exige priorizar agendas que realmente movem a agulha e participar de eventos que formam lideranças, ampliam o networking com propósito e elevam a qualificação técnica e cultural de todo o ecossistema.

Congressos de qualidade cumprem um papel que a soma de múltiplos eventos dispersos não conseguem replicar. Em poucos dias, concentram aprendizado de alto impacto, reúnem tendências internacionais, atualizam o marco regulatório, iluminam boas práticas de governança e gestão, apresentam tecnologias de fronteira e, sobretudo, conectam pessoas que decidem e executam. Dirigentes, executivos, conselheiros, reguladores, fornecedores e a academia dividem o mesmo ambiente, encurtando a distância entre desafio e solução.

A validação cultural também importa: congressos são rituais que renovam a linguagem comum, reforçam valores e consolidam a identidade cooperativista entre organizações de diferentes portes e regiões. Quando o networking é intencional e bem estruturado, as conversas geram projetos, parcerias, P&D, integração de plataformas, melhorias de processo e expansão territorial — e esses efeitos persistem muito além do encerramento do evento.

A diferença entre um grande congresso e um encontro mediano não está no brilho momentâneo, mas na consistência e na qualidade. Credibilidade institucional, alinhamento genuíno ao cooperativismo de crédito, organização que respeita a jornada do participante, programação atual e aplicável, curadoria exigente de palestrantes e lideranças com reputação e entregas, feira de negócios coerente com as necessidades do setor e presença de patrocinadores comprometidos com a agenda cooperativista — tecnologia, meios de pagamento, softwares de gestão, diversidade, valorização das pessoas, dados e segurança — formam um conjunto que transforma conteúdo em prática.

Quando tudo isso se articula, o retorno do investimento em tempo, orçamento e energia é inequívoco: a estratégia fica mais clara, a execução mais rápida e a cultura mais forte.

Falo com a convicção de quem viveu esse processo de construção por dentro. Tive a honra de servir à CONFEBRAS como Vice-Presidente (2015-2017), Presidente (2017-2021) e Conselheiro de Administração (2021-2023). Ao longo desses ciclos, contribuí para organizar edições do Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (CONCRED) — realizado, em geral, em anos pares — que marcaram o setor: Rio de Janeiro/2016, com 1.516 participantes; Florianópolis/2018, com 2.006 presentes; Digital/2021 (pandemia), com 2.946 congressistas virtuais; e Recife/2022, reunindo 2.427 dirigentes, gestores, colaboradores e público interessado.

A edição mais recente (2024), em Belo Horizonte, consolidou o evento como o maior congresso de cooperativismo de crédito da América Latina e do mundo, superando inclusive o Congresso Mundial do WOCCU (World Council of Credit Unions), cuja edição de 2026 ocorrerá em Sydney, Austrália.

A CONFEBRAS, organizadora do CONCRED, se consolidou, ao longo de quarenta anos de história, como protagonista do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo. Cresceu por engajamento às causas genuínas do movimento, defendeu com firmeza as cooperativas Luzzatti (independentes) e trabalhou, em parceria com a OCB e os sistemas cooperativos, no aprimoramento do marco legal, da Lei Complementar 130/2009 à sua atualização pela LC 196/2022, além da Resolução BCB 5051/2022. Mais do que representar, a CONFEBRAS forma lideranças, realiza o maior evento mundial do cooperativismo de crédito e defende, com legitimidade, as necessidades das cooperativas independentes junto à OCB/CECO, Banco Central, FGCoop, governos e parlamento.

A missão da entidade é inequívoca: elevar o protagonismo e fortalecer o cooperativismo e seus afiliados. É por isso que o CONCRED, seu principal instrumento de mobilização e aprendizagem, tornou-se espaço de discussão e consolidação da identidade cooperativista no país.

Os números do SNCC em 2025 reforçam o tamanho da responsabilidade. São 23,8 milhões de cooperados — mais de 20 milhões pessoas físicas —, ativos totais próximos de R$ 1 trilhão, R$ 608 bilhões em depósitos, R$ 570 bilhões em empréstimos, 123 mil colaboradores e a maior rede física de atendimento do país, com mais de 10,5 mil unidades, além de canais digitais robustos que são referência em tecnologia e segurança cibernética. Entre 2020 e 2025, o salto de 12,5 milhões para mais de 23,6 milhões de cooperados foi acompanhado por crescimento de negócios em dois dígitos e inadimplência em patamares adequados. O cooperativismo de crédito brasileiro atingiu maturidade: ampliou penetração social, avançou na principalidade entre associados e conquistou o respeito dos concorrentes.

Essa mesma maturidade, no entanto, impõe vigilância permanente: aprimorar governança e gestão, estimular a participação democrática, ampliar o protagonismo de mulheres e jovens nas instâncias decisórias e, crucialmente, cuidar da saúde mental das pessoas, prevenindo burnout, fortalecendo apoio psicossocial e disseminando práticas de liderança saudáveis. No fim do dia, a base da perpetuidade do movimento é GENTE — associados, colaboradores e dirigentes que se reconhecem pertencentes a uma comunidade capaz de transformar realidades.

É exatamente nesse espaço entre estratégia e execução que o CONCRED se torna decisivo. O congresso integra conteúdo de fronteira com visão sistêmica, traduz tendências regulatórias e tecnológicas em decisões operacionais, reforça valores e identidade cooperativista e estimula a intercooperação em escala. Ao aproximar quem regula, quem opera e quem inova, cria-se um ambiente em que a aprendizagem é imediatamente convertida em planos, e os planos encontram parceiros e ferramentas para sair do papel. A consequência é um setor mais preparado para navegar um ambiente financeiro desafiador, inclusivo e sustentável — um setor que equilibra desempenho com propósito, inovação com responsabilidade e escala com proximidade.

O 16º CONCRED acontecerá em Goiânia, de 26 a 28 de agosto/26, numa das fronteiras mais relevantes do agronegócio brasileiro — palco perfeito para aproximar a potência produtiva do campo da sofisticação do cooperativismo financeiro. A expectativa é reunir mais de 2.500 participantes presenciais, contar com 60 palestrantes e alcançar uma audiência digital próxima de 3.500 pessoas.

A programação foi desenhada para cobrir, com profundidade e aplicabilidade, cinco eixos que sintetizam os desafios atuais e as oportunidades futuras: tecnologia, estratégia, sustentabilidade, liderança e intercooperação. Temas como inteligência artificial aplicada à jornada do cooperado e à eficiência operacional, segurança cibernética e resiliência de dados, governança baseada em evidências, saúde mental e bem-estar em ambientes de alta performance, fortalecimento institucional e impactos sociais do cooperativismo financeiro estarão no centro das discussões, conduzidas por especialistas e lideranças do SNCC. Não se trata de um cardápio genérico, mas de uma trilha coerente que começa no cenário, atravessa o desenho organizacional e chega ao balcão de atendimento — físico e digital — onde o valor é efetivamente entregue.

Ao escolher onde estar e onde colocar energia, vale um critério simples e honesto: o evento tem curadoria séria, programação aplicável e vozes com entregas reais? Oferece oportunidades concretas de encontro que possam virar projetos? A feira de soluções conversa com as dores e ambições do SNCC? Quem organiza tem histórico de contribuir para o marco legal, a formação de lideranças e a defesa dos princípios cooperativistas?

Quando as respostas são positivas, o investimento se paga — para a instituição e para as pessoas. E é precisamente esse o caso do CONCRED.

Menos agenda, mais impacto. Priorizar eventos que entregam densidade, conexões e cultura — com método, propósito e compromisso — é condição para acelerar a próxima etapa do cooperativismo de crédito no Brasil.

Em Goiânia, no 16º CONCRED, temos a oportunidade de seguir elevando padrões de liderança, de transformar networking em colaboração efetiva e de consolidar a qualificação profissional que o momento exige. O convite está feito: organize sua agenda, mobilize sua equipe e participe. É assim, juntos e bem-preparados, que escreveremos o próximo capítulo de um cooperativismo de crédito mais forte, inclusivo e sustentável.

E aí, te encontro no CONCRED Goiânia? Na arena presencial ou na digital?

Até lá!

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*Kedson Macedo é Diretor Executivo na KMac Consultoria

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