O Ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços (TPBS) encerrou 2025 com 601 cooperativas e 188.451 cooperados distribuídos por diferentes atividades econômicas. De acordo com o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, publicado pelo Sistema OCB, as organizações do ramo movimentaram R$ 5,42 bilhões em ingressos e mantiveram 11.184 empregos diretos no período.
Os números abrangem um segmento marcado pela diversidade. Gestão de resíduos, educação, consultoria, mineração, manutenção, produção artesanal e industrial, cultura e tecnologia convivem dentro do mesmo ramo cooperativo. Desde 2019, o antigo Ramo Trabalho passou a reunir também cooperativas de produção, minerais, sociais e parte das organizações de turismo, lazer e educação.
Essa pluralidade ganha outra dimensão diante das mudanças observadas no mercado de trabalho brasileiro. Em 2025, o país tinha 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria, alta de 2,4% em relação ao ano anterior e de 30,4% desde 2012, segundo a PNAD Contínua, do IBGE. No mesmo período, a taxa de informalidade ficou em 38,1% da população ocupada. Os indicadores não correspondem ao universo dos cooperados, mas ajudam a dimensionar o avanço de formas de atuação profissional que não passam necessariamente pelo emprego assalariado tradicional.
Trabalho em transformação
O crescimento do trabalho por conta própria coloca em evidência não apenas a autonomia profissional, mas também as formas utilizadas para organizar atividades econômicas desenvolvidas fora de estruturas empresariais convencionais. Dos 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria registrados em 2025, 72,9% não possuíam CNPJ, segundo o IBGE.
É nesse cenário mais amplo que o cooperativismo apresenta uma forma distinta de organização. No ramo, parte da atividade econômica é estruturada coletivamente pelos próprios cooperados, com compartilhamento de recursos, responsabilidades e decisões. O dado do mercado de trabalho não estabelece uma relação direta entre trabalhadores autônomos e cooperados, mas mostra o tamanho de um universo no qual a organização da atividade profissional ganha novas configurações.
Ao reunir mais de 188 mil pessoas, o segmento atravessa justamente atividades em que prestação de serviços, produção e atuação profissional podem assumir formatos bastante diferentes. Esse alcance amplia a discussão sobre como estruturas coletivas se inserem em um mercado no qual autonomia, especialização e acesso a oportunidades passam a conviver com novas formas de contratação e intermediação.
Diversidade do TPBS
A gestão de resíduos aparece em 19% das cooperativas do ramo, seguida por demais serviços, com 17,8%, e educação, com 15,8%. Consultoria e instrutoria estão presentes em 12% das organizações, enquanto a atividade mineral alcança 10,8%. O AnuárioCoop ainda registra cooperativas ligadas à manutenção, produção artesanal, cultura e lazer, assistência técnica, confecção, produção industrial e tecnologia e inovação. Uma mesma organização pode atuar em mais de um segmento.
A composição mostra que as transformações do trabalho não se restringem às atividades digitais ou aos serviços profissionais. Dentro do ramo, elas alcançam desde cadeias tradicionais de produção até áreas ligadas à economia circular e ao conhecimento, com diferentes necessidades de qualificação, organização produtiva e acesso a mercados.
Outro dado diferencia o segmento dentro do próprio cooperativismo. As mulheres representavam 51,74% dos cooperados em 2025 e ocupavam 46,61% dos cargos de direção. No conjunto do cooperativismo brasileiro, a participação feminina nas posições de liderança era de 22,18%. Entre os empregados das organizações do ramo, as mulheres também eram maioria, com 55,65%.
Plataformas e tecnologia
A tecnologia acrescenta outra transformação às formas de trabalhar. A PNAD Contínua sobre Trabalho por Meio de Plataformas Digitais 2025, do IBGE, identificou cerca de 2 milhões de pessoas trabalhando por meio de aplicativos e plataformas de serviços. Para aproximadamente 1,8 milhão, essas plataformas representavam o trabalho único ou principal.
A relação com o trabalho independente é significativa: 86,8% dos trabalhadores que utilizavam plataformas como atividade principal atuavam por conta própria. O levantamento também passou a investigar de que forma os aplicativos interferem na definição de preços, prazos, escolha de clientes e jornada, mostrando que a digitalização não altera apenas onde o trabalho é encontrado, mas também sua forma de organização e intermediação.
Para as cooperativas de Trabalho, Produção de Bens e Serviços, o avanço tecnológico coloca questões semelhantes sobre acesso a mercados, gestão e relacionamento com clientes, mas dentro de outra estrutura econômica. O próprio AnuárioCoop aponta a tecnologia e a inteligência artificial entre os fatores que redesenham o mundo do trabalho e identifica nas plataformas digitais possibilidades de ampliar o alcance das cooperativas e facilitar sua gestão.
Por Redação MundoCoop com informações do AnuárioCoop