Bons resultados, como margem Ebitda de 13,5% e rentabilidade de 23,2%, levaram a Cooperativa Agroindustrial Consolata (Copacol) ao topo do ranking do Valor 1000 em agropecuária, mesmo sem figurar entre as dez maiores receitas líquidas do setor. O desempenho, afirma o diretor-presidente da cooperativa paranaense, Valter Pitol, segue “o mesmo caminho já trilhado pela Copacol em sua trajetória, numa visão muito clara e estratégica da operação, integrando cooperados e colaboradores”.
Para este ano, as projeções disponíveis até o momento sugerem um avanço apenas marginal para o faturamento total da Copacol, numa variação próxima de 3%, mas com resultados em queda na comparação com 2025, especialmente por conta das dificuldades enfrentadas na área de criação de aves e produção de carne de frango, que responde por quase metade das receitas da cooperativa. “Nossa expectativa em relação ao faturamento é chegar a aproximadamente Cooperativa investe R$ 1 bilhão para reforçar sistemas de recebimento e armazenagemR$ 12 bilhões, mas com redução do resultado consolidado diante da perspectiva de prejuízos na atividade da avicultura”, antecipa Pitol.
Nada disso e nem mesmo o atual custo de capital, porém, interferem na expectativa da cooperativa de concluir os investimentos contemplados em seu planejamento estratégico quinquenal até o começo de 2028, que soma aportes de quase R$ 1 bilhão, assegura o executivo. Os recursos serão direcionados à expansão da produção de aves e suínos e ainda reforçarão a rede de armazéns, criando as bases para ampliar o recebimento de grãos mais adiante e, assim, atender à sua base e a compromissos de mercado.
Com números históricos, o recebimento de grãos, especialmente o milho, foi um dos destaques no ano passado. A frente terá investimentos de mais de R$ 300 milhões nos sistemas de recebimento e armazenagem, o que deverá elevar sua capacidade em quase 35%, para pouco mais de 2,1 milhões de toneladas, em comparação a 1,554 milhão de toneladas ao fim do ano passado. Os recordes vieram na sequência de três anos sem frustrações de safra na região onde atua a cooperativa, que cobre 33 municípios do oeste e sudoeste paranaense, onde predominam pequenos e médios produtores.
A ausência de ocorrências climáticas severas e o perfil dos produtores locais, sustenta Pitol, permitem que os produtores enfrentem uma conjuntura de baixa inadimplência e de certo equilíbrio financeiro. “Para se ter uma ideia, financiamos R$ 1,5 bilhão para plantio de milho e soja e não temos sequer um por cento de contas atrasadas”.
Os números da Copacol no ano passado foram igualmente beneficiados por uma redução de 18,42% na linha de dispêndios e despesas, que baixaram de R$ 1,307 bilhão para R$ 1,066 bilhão, beneficiadas pelo salto de 231,5% na conta de outros ingressos operacionais, para R$ 305 milhões. Adicionalmente, o resultado financeiro líquido experimentou tombo de 69,44%. As perdas nesta área, descontadas as receitas financeiras, foram reduzidas de R$ 237,889 milhões para R$ 72,704 milhões. Houve melhoras destacadas ainda no capital circulante líquido e na posição de caixa e equivalentes, reforçando a estrutura patrimonial da cooperativa.
Na avicultura, os desafios foram grandes. O mercado vinha apresentando números mais glamorosos até maio do ano passado, quando foi identificado um caso isolado de influenza aviária em uma granja comercial no Rio Grande do Sul, o que passou a afetar o desempenho sobretudo das exportações de frango. Segundo Pitol, “a adoção de boas práticas de biosseguridade proporcionou segurança à atividade”, evitando impactos mais severos no setor. Daquele ponto em diante, lembra, a cooperativa conseguiu pelo menos manter o equilíbrio no desempenho naquela área, contribuindo para preservar os resultados.
A produção de carne de frango foi afetada apenas marginalmente, recuando de 519,2 mil para 512,7 mil toneladas, mas com avanço de 3,96% na produção de industrializados de frango, crescendo de 42,9 mil para 44,6 mil toneladas. Os embarques, de toda forma, foram reduzidos de 306,1 mil para 285,5 mil toneladas, uma queda de 6,73%. Os valores gerais das vendas externas, distribuídas entre mais de 70 mercados, apontaram queda de US$ 553,4 milhões em 2024 para US$ 479,6 milhões no ano seguinte, numa redução de 13,3%.
O desempenho neste ano tende a ser mais complicado, avalia o presidente da cooperativa. Os preços estão em baixa e os custos logísticos aumentaram desde o começo da guerra no Irã. “Utilizávamos o Estreito de Ormuz para fazer chegar nossa produção ao Oriente Médio e tivemos que buscar vias alternativas, pagando um custo bem maior para chegar aos mesmos países”, registra Pitol, lembrando que a região responde por praticamente um quarto das exportações de frango da cooperativa.
De toda forma, a Copacol continua trabalhando para sustentar a participação das exportações em sua operação, buscando pelo menos manter os volumes embarcados. Estrategicamente, a cooperativa pretende preservar a destinação de 55% a 60% dos volumes produzidos para o mercado internacional, “o que é importante e interessante diante de uma produção diária de 1,8 mil toneladas de carne de frango”, avalia Pitol.
O mercado de forma geral, segundo ele, ainda verá tempos mais duros também em 2027. O ano, em sua opinião, tende a ser mais desafiador; “até um pouco mais difícil do que neste ano”, mas a organização, diz, está se preparando. A gestão dos negócios e da cooperativa, de forma mais ampla, “terá que ser cada vez mais eficiente para fazer frente aos desafios do mercado”, avalia o executivo. Foi essa expertise, já exercitada no ano passado, que assegurou à cooperativa a primeira colocação entre as melhores empresas do agronegócio no ranking, afirma.
Em 2025, a cooperativa também se destacou por práticas ligadas ao ESG (ambientais, sociais e de governança). Gerou 6.813 megawatts de energia elétrica a partir dos resíduos das unidades de produção de leitões, economizando R$ 6,46 milhões na fatura de energia, além de dar um destino sustentável para 8,3 mil toneladas de resíduos orgânicos. A Copacol reutiliza ainda aproximadamente 3 milhões de litros de água por dia nas unidades de Cafelândia, onde se encontra sua sede, Ubiratã, Nova Aurora e Toledo, onde são tratados diariamente em torno de 25,5 milhões de litros de efluentes, evitado seu lançamento in natura nos mananciais daquelas regiões.
Fonte: Valor Econômico com adaptações da MundoCoop