O cooperativismo financeiro consolidou sua posição como um dos principais agentes de crédito rural do país ao reunir aproximadamente 35% dos recursos do Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira) destinados à safra 2026/2027. Juntos, Sicredi, Sicoob e Cresol somam cerca de R$ 2,6 bilhões do total de R$ 7,368 bilhões disponibilizados pelo programa para apoiar produtores rurais, cooperativas e empresas ligadas à cafeicultura brasileira.
O resultado foi divulgado pelo Conselho Nacional do Café (CNC), guardião do Funcafé, após a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (SPA/MAPA) publicar o resultado final do Edital de Chamamento Público nº 001/2026, que atualiza o Edital de Credenciamento nº 002/2025. O processo, conduzido pela Comissão de Contratação da SPA/MAPA conforme as Portarias MAPA nº 698/2024 e nº 907/2026, credenciou ao todo 36 instituições financeiras — entre bancos públicos, privados, bancos de desenvolvimento e cooperativas de crédito — para operar os recursos na próxima safra.
Como se distribui a participação das cooperativas
Entre as instituições credenciadas, o Banco Cooperativo Sicoob S.A. recebeu o maior valor individual do setor cooperativo, com R$ 428,1 milhões, enquanto o Banco Cooperativo Sicredi S.A. foi contemplado com R$ 499,3 milhões — o maior montante entre todas as 36 instituições da lista, superando inclusive grandes bancos privados.
Somando-se as centrais cooperativas de cada sistema, o quadro se completa da seguinte forma:
- Sicoob – considerando o Banco Cooperativo Sicoob e as centrais Crediminas (R$ 461,1 milhões), Central ES (R$ 349,8 milhões), Sicoob São Paulo (R$ 222,5 milhões), Central Uni (R$ 31,6 milhões) e Central Unicoob (R$ 39,2 milhões) — reúne aproximadamente R$ 1,53 bilhão.
- Sicredi – somando o Banco Cooperativo Sicredi às Centrais Sicredi Sul/Sudeste (R$ 332,8 milhões) e PR/SP/RJ (R$ 60 milhões) — totaliza cerca de R$ 892 milhões.
- Cresol – por meio das centrais Cresol Baser (R$ 163,3 milhões) e Cresol Sicoper (R$ 4 milhões) — alcança mais de R$ 167 milhões.
Somados, os três sistemas cooperativos respondem por cerca de 35,2% de todo o orçamento do Funcafé 2026/2027, um patamar que evidencia o avanço das cooperativas de crédito na execução de políticas públicas para o agronegócio.
O que é o Funcafé e para onde vai o dinheiro
O Funcafé é um dos principais instrumentos de apoio à cafeicultura nacional, financiando diferentes etapas da cadeia produtiva. Do total de R$ 7,368 bilhões disponibilizados para 2026/2027, a maior fatia — R$ 2,713 bilhões, ou 37% — foi destinada à linha de Comercialização. Em seguida vêm a Aquisição de Café (FAC), com R$ 1,708 bilhão (23%), voltada à sustentação do mercado e à participação de todos os elos da cadeia; o Custeio, com R$ 1,616 bilhão (22%); o Capital de Giro para cooperativas e indústrias, com R$ 1,15 bilhão (16%); e a Recuperação de Cafezais danificados, com R$ 180 milhões (2%).
As condições financeiras também foram definidas pela Resolução CMN nº 5.324, de 30 de junho de 2026: as operações de custeio, comercialização, contratos de opções e mercados futuros, além da recuperação de cafezais, terão taxa de juros de 11,5% ao ano. Já as linhas de aquisição de café (FAC) e de capital de giro para torrefadoras, indústrias de café solúvel e cooperativas terão taxa de 13% ao ano.
Cooperativismo ganha espaço na concorrência com grandes bancos
A lista de credenciados reúne nomes como Banco do Brasil (R$ 378,9 milhões), Itaú Unibanco e Santander (R$ 349,8 milhões cada), Bradesco (R$ 349,8 milhões) e BTG Pactual (R$ 212,7 milhões), entre outras 26 instituições públicas e privadas. Ainda assim, o Banco Cooperativo Sicredi aparece como o maior valor individual atribuído a uma única instituição no edital, à frente de todos os bancos tradicionais — um indicativo da força que o cooperativismo financeiro vem conquistando no crédito rural.
Para o presidente do CNC, Silas Brasileiro, a conclusão do credenciamento representa um avanço importante para que os recursos cheguem ao setor com agilidade e capilaridade. Segundo ele, a etapa é essencial para que o Funcafé cumpra sua missão de fortalecer toda a cadeia produtiva do café, e o CNC seguirá acompanhando de perto cada fase do processo, defendendo um fundo cada vez mais eficiente e acessível aos produtores, cooperativas e demais segmentos da cafeicultura.
Brasileiro também destacou o trabalho técnico conduzido pela Secretaria de Política Agrícola do MAPA, apontando que o processo trouxe transparência, critérios técnicos e segurança jurídica, oferecendo previsibilidade ao mercado para que as instituições financeiras iniciem os preparativos para a contratação das operações. Segundo o dirigente, a diversidade de instituições credenciadas — bancos públicos, privados, cooperativos e centrais cooperativas — amplia a concorrência, fortalece a presença do crédito nas regiões produtoras e favorece o acesso de mais cafeicultores aos recursos do Fundo.
Papel estratégico das cooperativas no crédito rural
A forte presença de Sicredi, Sicoob e Cresol no Funcafé reflete a capilaridade do cooperativismo financeiro, que atua próximo às comunidades e conhece as realidades locais das regiões produtoras. Além de ampliar a concorrência entre operadores financeiros, as cooperativas de crédito contribuem para democratizar o acesso ao crédito, especialmente em importantes polos cafeeiros do país, fazendo com que os recursos do Funcafé cheguem a um número maior de produtores.
Mais do que simples operadoras financeiras, os sistemas cooperativos se posicionam como agentes de desenvolvimento econômico e social, conectando crédito, produção e geração de renda nas comunidades onde atuam. Ao reunir mais de um terço dos recursos credenciados pelo Funcafé, o cooperativismo financeiro reforça sua posição como parceiro estratégico da cafeicultura nacional, um dos segmentos mais relevantes do agronegócio brasileiro.
Próximos passos
O CNC, que representa cerca de 330 mil cafeicultores organizados em cooperativas e associações de 16 estados e do Distrito Federal, informou que seguirá acompanhando a próxima etapa do processo: a assinatura dos contratos entre o MAPA e as instituições financeiras credenciadas. Segundo o Ministério da Agricultura, a expectativa é que o desembolso dos recursos aos agentes financeiros ocorra ainda em julho, contribuindo para a competitividade, a sustentabilidade e o fortalecimento da cafeicultura — uma das atividades mais relevantes para a geração de emprego, renda e divisas do país.
Fonte: Conexão Safra, Portal do Cooperativismo Financeiro e MAPA com adaptações da MundoCoop