Quando falamos em golpes digitais, é comum concentrarmos a atenção no momento em que alguém clica em um link, compartilha uma senha ou realiza uma transferência via Pix. Mas acredito que a prevenção começa muito antes disso. Ela começa na orientação que essa pessoa recebeu, na facilidade para esclarecer uma dúvida e na confiança para pedir ajuda ao perceber algo suspeito.
A confiança está na essência do cooperativismo. Ela sustenta o relacionamento com os cooperados e o compromisso com as comunidades em que atuamos. Proteger essa relação também significa ajudar as pessoas a reconhecer quando alguém tenta explorar essa confiança para aplicar um golpe.
À frente da Tecnologia do Sistema CrediSIS, entendo que a segurança cibernética precisa envolver pessoas, processos e tecnologia. Investimos em recursos técnicos para proteger informações e manter os serviços disponíveis. Ao mesmo tempo, precisamos garantir que as orientações sejam compreendidas e possam ser colocadas em prática. Um alerta só cumpre seu papel quando ajuda alguém a tomar uma decisão mais segura.
Gosto de usar a analogia de um carro de corrida para explicar essa relação. Um bom sistema de freios dá ao piloto condições de acelerar com mais confiança e manter o controle ao longo do percurso. Vejo a segurança da informação da mesma forma, como uma condição para inovar, ampliar serviços e avançar com responsabilidade. À medida que os meios digitais ocupam mais espaço na vida dos cooperados, maior é nosso compromisso com sua proteção.
Os criminosos exploram sentimentos como medo, urgência e confiança. Uma mensagem que ameaça bloquear uma conta, uma ligação de uma suposta central de atendimento ou uma oferta de crédito muito vantajosa podem induzir decisões precipitadas. Com a inteligência artificial, mensagens, imagens, áudios e vídeos falsos também podem se tornar mais convincentes, dificultando a identificação de tentativas de manipulação.
Por isso, as orientações de segurança precisam ir além de recomendar cautela. É importante explicar como agir: interromper uma conversa suspeita, não compartilhar senhas ou códigos de autenticação e verificar uma solicitação por um canal oficial, acessado diretamente.
No Sistema CrediSIS, trabalhamos essa conscientização por meio de alertas sobre golpes, como os da falsa central de atendimento e dos falsos contratos de crédito, além de orientações práticas disponibilizadas em nossa página de Segurança Cibernética. Buscamos aproximar a informação das situações que as pessoas encontram no dia a dia, com uma linguagem clara e acessível.
Nesse trabalho, o Rivaldo Golpp, nosso agente virtual de segurança, também tem um papel importante. Criado em 2021 para orientar o público interno, ele ganhou, em 2025, uma nova identidade visual e uma linguagem adaptada também ao público externo. Sua proposta é tornar as orientações mais próximas e fáceis de compreender, tratando situações sérias com leveza, sem minimizar os riscos.
Costumo dizer que, em cibersegurança, as pessoas podem ser o elo mais forte ou o mais fraco dessa corrente. Tudo depende do seu nível de consciência e conhecimento sobre o tema. Por isso, considero nosso papel oferecer orientação, preparar as equipes e criar condições para que cada pessoa reconheça os riscos e saiba como agir. É assim que transformamos informação em proteção.
Vejo valor nessa abordagem porque comunicar segurança exige mais do que transmitir conhecimento técnico. Precisamos despertar atenção, facilitar a compreensão e ajudar as pessoas a lembrar da orientação quando estiverem diante de uma situação suspeita. A comunicação precisa fazer sentido para quem a recebe.
Essa mesma preocupação orientou a realização da nossa 3ª Semana de Segurança da Informação, de 19 a 23 de outubro de 2026. A programação reuniu colaboradores e lideranças em discussões sobre prevenção, proteção e resposta a incidentes, incluindo uma palestra voltada a diretores e conselheiros da Central e das cooperativas.
Faço questão de destacar a participação da alta administração. As decisões sobre prioridades, investimentos e processos influenciam diretamente a capacidade de proteção de uma organização. Quando a liderança participa, aprende e apoia as ações de conscientização, fortalece a mensagem de que a segurança faz parte da gestão e deve estar presente em todas as áreas.
Também considero essencial que as pessoas se sintam à vontade para comunicar uma dúvida, uma tentativa de golpe ou um possível erro. Diante de uma suspeita, o receio de julgamento não pode atrasar o pedido de ajuda. Quanto antes a situação for conhecida, maiores serão as possibilidades de conter seus efeitos. Precisamos orientar com clareza e acolher quem procura apoio.
No cooperativismo, esse conhecimento pode ir muito além do ambiente de trabalho. Um colaborador que aprende a identificar uma fraude também pode proteger a si mesmo e orientar seus familiares. Da mesma forma, um cooperado bem informado pode alertar outras pessoas da comunidade. Compartilhar conhecimento sobre segurança é uma forma de cuidado e cooperação que ultrapassa os limites da instituição.
Outubro, mês dedicado à conscientização sobre cibersegurança, oferece uma oportunidade para ampliar essa conversa. Nosso compromisso, porém, precisa se manter durante todo o ano, por meio do aprimoramento das proteções, da preparação das equipes e de comunicações frequentes e úteis.
Para mim, colocar o cooperado em primeiro lugar também significa ajudá-lo a usar a tecnologia com mais segurança e autonomia. É esse compromisso que deve orientar nossas ações: proteger informações, preservar a confiança e preparar as pessoas para fazer escolhas mais seguras.
A segurança digital começa muito antes do clique. Começa no cuidado que temos com as pessoas.
*Adailtom Alves da Silva é Diretor de Tecnologia do Sistema CrediSIS