Mesmo quando as mudanças acontecem, a operação não pode parar: como a intercooperação transforma incerteza em alimento na mesa do brasileiro – Elias José Zydek é Presidente Executivo da Frimesa

Escrito em 10/09/2026
Redação

O Pacífico está mais quente do que deveria. Um Super El Niño se anuncia, e com ele vêm chuvas em excesso no Sul, secas severas no Centro-Oeste, calor extremo no Norte e Nordeste. Somado a isso temos o câmbio instável, os juros elevados e um comércio internacional cada vez mais imprevisível. O cenário nos mostra que temos um desafio gigantesco pela frente, mas há algo que o clima não consegue abalar: a força de quem decide caminhar junto. 

A força da união é uma lição consolidada no cooperativismo brasileiro e está na base sobre a qual esse modelo foi construído. Ao se organizarem em intercooperação, as cooperativas reúnem milhares de produtores de diferentes regiões e com realidades climáticas distintas. Essa diversidade fortalece o conjunto e ajuda a reduzir os impactos do imprevisível, oferecendo uma proteção que dificilmente um produtor conseguiria construir sozinho. 

Quando uma área sofre com excesso de chuva e outra enfrenta estiagem, o sistema cooperativista encontra formas de se reorganizar. A intercooperação transforma o risco individual em resiliência coletiva, com planejamento compartilhado, assistência técnica integrada e estrutura industrial diversificada. Essa atuação integrada oferece aos produtores mais segurança para escoar a produção, mesmo em períodos marcados por eventos climáticos severos. 

A segurança da produção exige também responsabilidade no uso dos recursos naturais. Cada vez mais preocupado com a origem dos alimentos, o consumidor quer saber como aquele alimento foi produzido e chegou até seu prato, por isso, ele busca clareza sobre o uso consciente da água, o manejo do solo e a redução dos impactos ambientais. Nesse contexto, a união entre as cooperativas viabiliza investimentos em tecnologia, tratamento de efluentes, eficiência energética e boas práticas agropecuárias, que poderiam estar fora do alcance daqueles que atuam de forma independente. 

Respeitar a terra não é um custo à parte do agronegócio cooperativo. Essa é uma condição para manter a produção, gerar renda e preservar os recursos que sustentam o campo. Quando existe uma estrutura robusta para o escoamento da produção, o resultado chega à mesa do consumidor em forma de qualidade e responsabilidade. Para o produtor cooperado, esse trabalho representa o sustento da sua família hoje e das gerações que virão. 

Nenhum modelo é imune a um fenômeno da magnitude de um Super El Niño. Mas sabemos que quem atravessa a tempestade em rede tem mais condições de sair dela fortalecido do que quem enfrenta o mercado sozinho. Diante das incertezas do mercado global, a intercooperação não é apenas um princípio. Ela permite ao produtor brasileiro seguir gerando alimento, renda, respeito à natureza e futuro, com a força que só a união é capaz de gerar. O clima muda e os desafios se renovam, mas o compromisso do cooperativismo permanece. 


*Elias José Zydek é presidente executivo da cooperativa central Frimesa e atua há mais de cinco décadas no setor cooperativista brasileiro.

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